O Que é o “Cinema de Autor”?

No meio da foto, o cineasta Woody Allen.

Fellini, Antonioni, Godard, Truffaut, Scorsese, Kubrick, Bergman, são nomes frequentes quando o assunto é cinema. Todos esses cineastas fizeram filmes de forma singular e se destacaram dentre tantos outros diretores. Mas o que faz o trabalho deles ser especial assim? Como podemos saber quem dirigiu algum filme (ou ao menos palpitar) sem ver os títulos?

Filme “Repulsa ao Sexo” (1965), de Roman Polanski.

No ano de 1948, Alexandre Austruc escreveu na revista L’écran Français um artigo falando sobre a evolução do cinema, ele cita no artigo a “caméra-stylo” ou “câmera-caneta”, que seria o modo no qual o cinema consegue retratar uma cena de modo tão artístico como em um livro.

Mais tarde, em janeiro de 1954, François Truffaut, antes de se tornar um grande cineasta, escreveu na revista Cahiers Du Cinéma um artigo intitulado: “Uma Certa Tendência No Cinema Francês”,  reafirmando as palavras de Austruc em 1948 e também dissertando sobre a “Teoria do Autor”, em que dizia que embora o cinema seja uma arte coletiva, um filme tem como autor máximo o seu diretor. Da mesma forma que ninguém escreveria “Hamlet” como Shakespeare, ninguém filmaria “Oito e Meio” como Fellini.

Ao fundo, o jovem cineasta François Truffaut entrevistando o lendário diretor Alfred Hitchcock.

Um filme é fruto da mente de seu diretor, e dizer isso não é desmerecer o trabalho de roteiristas, produtores, diretores de fotografia e de arte, etc., pois embora todo cargo em um filme seja importante, é o diretor quem dita o rumo da obra. Não é simplesmente posicionar a câmera de forma coesa e criativa, escolher cores, junto ao diretor de arte, que “combinem” com a cena, ou implicar com seus atores; é visualizar um filme em sua cabeça e imprimir isso nas telas.

Assistir um filme do Scorsese é diferente de assistir um filme do Hitchcock, não só pelos temas retratados por cada diretor, mas pela atmosfera que os cineastas criam. Mesmo que não se conheça o trabalho dos artistas, consegue-se distinguir que um filme é diferente do outro. Se Scorsese dirigisse “Janela Indiscreta”, o filme seria outro; e se Hitchcock dirigisse “Taxi Driver”, seria igualmente distinto.

Storyboard de “Psicose” (1960), de Alfred Hitchcock.

É importante não confundir o “cinema de autor” com hábitos freqüentes de diretores em seus filmes, por exemplo: Stanley Kubrick usa a perspectiva de um ponto em muitos momentos de um filme, mas ele não foi o único cineasta a fazer isso. A perspectiva de um ponto faz parte do estilo cinematográfico de Kubrick, entretanto não é simplesmente pela repetição disso em um filme, que deduziremos que foi dirigido por Kubrick; é apenas um elemento da atmosfera que o diretor cria. Quentin Tarantino tem como marca a violência exagerada em seus filmes; Dario Argento também apresenta violência abundante em seus trabalhos no cinema e, embora tenha influenciado Tarantino, possui um cinema quase completamente diferente do cineasta. Não é o que um cineasta retrata, mas a forma na qual ele retrata.

 

Cena do filme “2001- Uma Odisséia No Espaço” (1968), de Stanley Kubrick.

O cinema é uma forma de arte como qualquer outra, e o diretor deve ser um autor distinto como qualquer outro artista.

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