Chocolat – O palhaço que revolucionou o circo

O filme se passa durante a transição do século XIX – XX na França, e conta a história real de Rafael Padilla (Omar Sy) um cubano que foi vendido para um europeu quando criança que mais tarde consegue fugir e revolucionar a história do circo francês. Padilha concretizou sua carreira como artista circense sendo o primeiro artista negro famoso na França junto a sua dupla George Foottit (James Thiérrée) que apesar de autoritário em suas apresentações fez com que alcançassem o auge da fama.

Omar Sy fez um ótimo trabalho expressando a ingenuidade, ousadia, traumas e vícios de Rafael, nos envolvendo cada vez mais com o personagem e toda aquela situação. A forma como os atores deslizam entre a melancolia e a comédia é muito interessante e balanceada, nos fazendo refletir sobre as consequências do racismo, ignorância e falta de representatividade presentes naquela sociedade. Onde nas palavras de Victor (Alex Descas) “Negros são para domesticar”.

A história, apesar de uma certa leveza com que é contada é na verdade um drama de um negro que tentou ir além do que aquela sociedade racista julgava ser capaz.

Foi dirigido pelo premiado ator e diretor Roschdy Zem. A fotografia (Thomas Letellier) é perfeitamente executada em seus enquadramentos, composições e a escolha das cores não poderiam ser outras. A trilha sonora (Gabriel Yared) é outro ponto fortíssimo da obra, é brilhante feita exclusivamente para o filme consegue nos fazer rir, ficar tenso e se indignar.

A atuação de James Thiérrée fez com que o filme levasse o prêmio Francês César de ator coadjuvante, um artista de palco tão genial, que passeia pelo mundo com atos de circo surpreendentes e surrealistas.

Além disso no mesmo ano o filme recebeu o prêmio César de melhor direção de arte por Jérémie Duchier.

Como nem tudo são rosas, acredito que houve uma falha gravíssima na apresentação do personagem Victor uma das peças principais da reviravolta da história e da visão de mundo de Chocolat, que poderia ter sido mais explorado em suas cenas.

Recomendo a todos que assistam a obra espero, que gostem se emocionem e principalmente reflitam e entenda o quão grave é o racismo e a falta de representatividade na vida das pessoas. Um século já se passou desde a morte de Padilla e parece que aprendemos muito pouco a respeito do assunto.

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